SIMPLES COMO O TEMPO
Letras que se espalham com os ventos por todos os cantos do mundo
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Meu Diário
28/08/2006 21h38
ALCOVA
Todos os barcos dirigem-se aos horizontes capazes de revelar sonhos à razão dos nossos sonhos de infância, adolescência, juventude e contemporaneidade. A razão abraça-se nessa barca imunda chamada civilização e inunda-se em fantasias teatrais afundando-se em fases durante a nossa vida de adulto, até que envelhecemos e descobrimos não saber exatamente qual é o real caminho da felicidade. Até quando a poesia começa adentrar-nos a alma e ninar nossos pensamentos, até que a gente em prosa comece a vencer obstáculos e tomar consciência da força adquirida interiormente. Até que a gente descanse, dormente, em paz. Tudo passa pela nossa cabeça, parto, germem, feto, suicídio, ficção, beleza, sexo, a vida de papo-pro-ar. Tudo passa na nossa cabeça, o sonho de cantar, a capacidade de realizar, a morte, o penar, a transgressão trágica da traição e das invenções das cartomantes. Penso, logo... escrevo!
Respeito profundo ao fundo da alma e às tentações do corpo. Respeito ao que restou do caráter do homem...
Respeito e comemoração ao novo dia que está para vir, quando as palavras completarão meus sonhos e o amor vencerá, emocionado, ovacionado, hipnotizado, e as rimas se farão mais belas, complementando a incrível e mágica poesia da minha vida.
Tudo de tudo se transformará em transparência de valores, nada de nada nos fará desistir, insistiremos apenas, nas cores amenas, nas caras humanas... no feriado da morte.
O filme da nossa vida estará gravado em disquete, seja uníssono som de trombone, bofete, crianças chorando, carnaval, confete,muita alegria a contagiar nossas futuras lembranças. Chega de caça às bruxas, de briga de gato e rato, de zombarias de pé no sapato, de bicho papão.
O triste fim do pequeno aprendiz não está nas palavras do verso que refiz, não se conforta em filial ou matriz, não se esconde em conversas banais, nem decaptado em velhos carnavais, mas na hora certa, poemas sutis, respiro e nariz... teremos um final feliz.
Tudo se passa na nossa cabeça, o decoro da festa, a luta da infância, o belo o rico e a ganância, a noite a fresta da porta e o ar de arrogância. Tudo se passa na loucura do ócio, no labor do ofício, na desgraça do sócio... são os vermes do mundo entreolhando-se petrificados, desmascarados e hipócritas.
Vou seguindo esta trilha com sede de vitória, rumo ao absoluto sucesso pois não há tempo a perder, arreio o potro, cuspo no chão, sigo à terra prometida, sigo à morte: o mundo não muda em um amanhecer, somente muda de cor, cafajeste, agreste, folhas de cipreste, poeta inconteste. Tudo é chavão, entrada, tal chave em fechadura, enclaves, claves de sol, traves, gol... Não ficaremos mudos, escondidos, engavetados. Vamos respirar fundo! Vamos ser malcriados, abusados, malfadados versos saindo das entranhas das estruturas das ranhuras das nossas veias mais seguras e certas. Vamos soltar um grito de vulcões, de seres em decomposições, vamos respirar e manifestar nossas razões.
Vamos poeta, em busca da nossa verdadeira arte, subir no pedestal, no sino da catedral, etc e tal, ser o bom, o maioral, estar ciente do nosso poder de transformar cozinha em quintal, de escrever melhor que Antero de Quental, de sentir a luz no sepulcro da hora vital, ser capaz de soletrar nosso melhor poema no derradeiro momento final. Tudo depende do sentimento do perfume do incenso da flor da acácia da rosa ... do temporal.

Publicado por WILDON LOPES em 28/08/2006 às 21h38